Hoje é Tudo Falso – e outras crónicas

António Souto escreve crónicas há muitos anos. Décadas. É uma forma de se obrigar a pensar e a escrever, ou, como assinala, «uma forma boa de me disciplinar no rigor de uma escrita que, sendo breve, me permite explorar as virtualidades da palavra e do discurso, de ao mesmo tempo me dizer e interpelar, provocando, com a graça possível, aqueles que me possam vir a ler».

Neste registo, onde é um dos mais admiráveis escritores portugueses, procura fixar e partilhar memórias e reflexões ocasionais. Estas últimas resultando sempre de um olhar atento sobre realidades que não consegue evitar – questões que boa parte das vezes se articulam com o seu ofício de professor, mas também outras que o inquietam, de tão inusitadas ou socialmente injustas.

Regressa frequentemente à infância, e sobre isso partilha: «Com o avançar da idade, vai-se-me atravessando cada vez mais na escrita (nas crónicas como na poesia). Não busco nem tento presentificar nostalgicamente um tempo que foi, o que acontece é que a infância que tive e soube, embora dura, me serve de contraponto e conforto para este presente acrítico de facilitismos, vacuidades, insolências e hipocrisias.»

 

Autor: António Souto

Género: Crónica

Páginas: 128