Cemitério de Pardais

Uma narrativa pungente das últimas vinte e quatro horas de «um homem sem interesse nenhum» – um simples homem, de oitenta e oito anos, praticamente cego, confrontado com a mais absoluta solidão no crepúsculo da sua existência.

Ficção a partir de um caso real, «Cemitério de Pardais» é um monólogo interior que convida a percorrer os meandros da memória de alguém que, no limiar entre a vida e a morte, revisita os momentos que o definiram: o amor transcendente pela esposa espanhola – história marcada por um acidente fatal –, a dor dilacerante da perda dos filhos, os laços de amizade e as rivalidades que teceram a sua vida.

Num tom intimista, surgem temas universais como o peso do remorso, o abandono familiar e o questionamento da justiça divina perante as pessoas. À medida que a narrativa avança, somos confrontados com reflexões sobre a solidão na velhice, a deterioração física, a doença e a aproximação da morte – não como uma ameaça, mas como uma velha amiga que promete libertação e o reencontro com quem já partiu.

«Cemitério de Pardais» é uma reflexão sobre a velhice numa sociedade que «parece viver para a eterna juventude e querer esquecer o peso morto dos mais velhos».