O Império das Ostras
Em O Império das Ostras, de Rodolfo Miguel Begonha, entramos nas vidas de Hae-jin e Su-ji, numa povoação insular do sul da Coreia, cujo mar esconde uma espécie desconhecida de ostras, com características absolutamente fantásticas. Os dois, namorados, são substancialmente diferentes entre si. Hae-jin é um bom rapaz, mas sobrevive nas fronteiras de certa marginalidade, entre o ócio e trabalhos intermitentes na pesca. Quanto a Su-ji, é uma jovem mergulhadora dedicada à apanha de ostras, por causa das suas pérolas. É experiente, muito dedicada e talentosa.
Os novos seres determinam de forma profunda os destinos de ambos. Nos seus mergulhos, Su-ji procura-os com entusiasmo e curiosidade, mas enfrenta dificuldades. E Hae-jin acaba por viver acontecimentos extremos, enquanto o império das ostras revela potencialidades assombrosas. Há ocorrências tidas como impossíveis. Um instituto australiano faz descobertas além do imaginável a nível científico: não se trata de simples ostras, é muito mais do que isso. Além de surpreendentes, as consequências mostram-se imprevisíveis.
Que influência e que domínio efetivo têm as pessoas sobre a natureza? Poderá a esperança na salvação do planeta estar associada a esta descoberta científica? Ou não?
Através de uma narrativa fluida e muito apelativa, que se desenrola ao ritmo do mar – das suas marés, dos seus humores, da sua mansidão –, acompanhamos as vidas destas personagens, as aventuras e as desventuras que protagonizam. De surpresa em surpresa, vamos ao encontro da verdade e da ficção, da biologia e dos sentimentos, da cultura real e dos mitos.
Rodolfo Miguel Begonha define-se como um contador de histórias, todavia, lendo-o, compreendemos que não se confina a essa missão: abre portas que levam quem o lê simultaneamente à essência mágica dos sonhos, aos testemunhos naturais que nos rodeiam e à riqueza complexa do ser humano. Por isso, este romance contém uma dimensão multifacetada, que se desenrola ao sabor de uma elegância natural ondulante, o que faz sentido quando o mar é um elemento central. A história é única, imperdível.
