O Homem do Trator

Nos versos que escreve, Ana Sofia Brito procura dar voz a quem não a tem, procura uma ligação entre os invisíveis e o resto do mundo. «É como se tivesse o poder de eternizar algo que sem isso seria esquecido», partilha, assinalando que «é esse o poder do contador de histórias, trazer o invisível para o campo de visão de quem lê».

A poesia traz-lhe a noção de atenção, de observação, de eternização de um pensamento ou ideia. Para si, «essa é a maior riqueza de estar vivo, prestar atenção à própria vida e aprender com todas as imagens que ela nos traz».

Em O Homem do Trator, encontra as situações do dia-a-dia que não consegue ignorar ou esquecer. «São fragmentos de vidas que capturo e nos quais a minha imaginação permanece pairando agitada até à tentativa de tradução», diz. «É como se fossem momentos cujo esquecimento me deixaria mais pobre.»